Postado em segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
às 23:11
Após ser acusada de racismo, vereadora recebe moção de apoio da Câmara Municipal
Apenas uma semana após fala polêmica em um ato público, parlamentares aprovaram uma moção de apoio a parlamentar do PL.
Alessandro Emergente
A Câmara Municipal aprovou, durante a sessão de segunda-feira, uma moção de apoio à vereadora Maria Idalina (PL). O gesto de solidariedade ocorre exatamente uma semana após a parlamentar se tornar alvo de denúncias de racismo e intolerância religiosa devido a declarações feitas em um ato público na Praça Getúlio Vargas.
A iniciativa da moção partiu do vereador Gilmar Costa da Silva (PL), colega de legenda da parlamentar, e foi aprovada por decisão unânime. O presidente da Câmara Municipal, Matheus Paccini (PDT) - que, na semana passada, fez um forte discurso crítico a fala da companheira de plenário - não votou, o que ocorre só em caso de desempate.
A vereadora recebeu falas de apoios em plenário, de vereadores que integram o grupo de oposição, como os vereadores Ednílson Francisco Neto (Novo) e Thalles Gomes (PSDB). O peessedebista leu uma carta em defesa da colega, enfatizando que julgamentos definitivos baseados em recortes isolados são injustos e ignoram a história de assistência social da vereadora.
Para os defensores da moção, as críticas direcionadas a vereadora são "desproporcionais" e ultrapassam os limites do debate democrático. O texto aprovado sustenta que a fala de Idalina foi divulgada de forma "descontextualizada" e que a suposta menção a "povos brancos" teria sido, na verdade, um lapso de pronúncia ao tentar dizer "brasileiro" ou "brasileira".
O episódio e a repercussão
A polêmica teve início no último dia 25, durante uma manifestação em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, Idalina afirmou que o Brasil é um país de cristãos e de um “povo bran...”, o que seria uma referência a brancos. Porém, nesse momento a fala é interrompida por ela, que não conclui o raciocínio.
O episódio gerou protestos. A Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial emitiu uma nota de repúdio, classificando as falas como ofensivas aos direitos constitucionais. Em sua defesa, Maria Idalina negou qualquer intenção discriminatória, alegando que sua trajetória é pautada pelo atendimento à população vulnerável, sem distinção de etnia ou crença.
Comissão de Ética
A Câmara Municipal recebeu três pedidos formais para a abertura de uma Comissão de Ética para investigar uma possível quebra de decoro parlamentar. A Mesa Diretora reuniu-se na última sexta-feira por cerca de três horas para deliberar sobre o tema. Uma ata oficial deve ser publicada ainda nesta semana, comunicando se as investigações serão instauradas ou arquivadas.
Durante a sessão legislativa de segunda-feira, três requerimentos foram aprovados e quatro projetos de leis começaram a tramitar no Legislativo, após a leitura em plenário. Dois desses projetos são de inciativa do governo e outros dois são para concessão de honrarias por vereadores.
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